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Quem bate depois beija.
Quem cega depois olha.
Quem vai querendo não ter ido,
Voltando sem ter escrito,
Deitando sem dormir.
Que vida estranha essa
Depois desse encontro.
Do encontro.
De encontrar.
Um teto, um lar.
Sem testemunhas, predileção,
sentimento direito, coração.
Que vida, que me intriga,
Me faz pensar em ontem e amanhã,
Me esquecendo do hoje.
Hoje.
Hoje conheço alguém,
Alguém que me ensina.
A mesma condição para que os olhos
Vejam sempre a mesma forma,
O paraíso,
O rei do riso.
Me toma, me guia.
Muito prazer,
Anna Maria.





..."
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Para onde foi o sono? Para onde está indo meu emprego? Tenho um prazo de validade, e este vencerá antes de eu conseguir montar meus pedaços. Terei que recomeçar, mais uma vez. Naquele dia eu fui embora por pensar que não me queria por ali. Depois do dia mais feliz de todas as vidas juntas, depois disso. Vim e recomecei. Agora, apesar de ter feito várias estrelas brilharem, elas morrerão. E recomeçarei, novamente, sempre te amando. Já sei que não há a opção sem você. Mas não haverá outro dia mais feliz da vida de todos. Chego perto e o escuro visita todas as formas que não são as do seu rosto. O calor e o frio voltam a me castigar. A mente, que sempre trás respostas, agora só tem perguntas. Por quê? Porque...





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(Foto: Siabate)
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E me pergunto novamente como consigo estar mais longe que um sorriso. E me pego novamente com a certeza que teima em virar dúvida. E novamente sinto tudo aquilo que não vem em nenhum outro dia da semana. E te aperto, você sorri. Te deixo só, e me sinto mais do que todos os sós juntos, mesmo sabendo que desta maneira estes não estarão mais. E percebo, mais uma vez, que o mundo pode ser tão fácil ao seu lado, mas ficar assim é sempre tão difícil. Torço pelo hoje. Vou dormir, para que o amanhã chegue. Morderei o seu dedo, mas não juro. Mas não juro, por toda a minha vida.




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Sou feito de emoções, tenho cor no meu cabelo. Seguro o corrimão sem encontrar verdadeiramente um chão que me faça caminhar. Enquanto isso, volto para meu caderno, onde sou o personagem principal de uma história, a da minha vida. Por mais que queira escrever com um estilo copiado de algum autor que li, em algum lugar, devo me concentrar em ser fiel a tudo o que já vi. E o tempo me levando com ele. Desde o início sempre foi assim, o tempo, os sóis, o vento mexendo com os cachos dos cabelos de todos nós, ao mesmo tempo, sem se preocupar com um final. Quando acabar, o que seremos? Nada mais que o companheiro de um tempo que na verdade nem existiu.





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Quem estava tentando não viver? A menina dos sentimentos em dobro, ou em triplo, já me esquecia. Encerrada em sua casa comprometida tentava encontrar uma resposta para sua falta de amor. Nunca encontrará, sinto dizer. Pela janela ainda entra uma fresta de sol, pois por mais que ela não queira, a vida passa por ali, de hora em hora. Quando perceber que ninguém fará nada para tirá-la daquela quarta-feira, trancará seu coração. De repente o telefone toca. Ela não atende. Na mesma janela percebe que a noite já veio, ela sequer almoçou. E tudo isso em cinco minutos. É a menina dos sentimentos em dobro.





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E tu choras? Nunca em meu caminho encontrei algo assim. O céu faz isso por ti. Não imaginava que anjos sofressem por dores do coração. Ouso dizer que és o melhor anjo que há, pois chora. Digo que reconheço o divino em ti, mesmo que estejas assim, mesmo que não consigas encontrar o sol que foste buscar, mesmo assim. Curioso a chuva andar contigo. É que a natureza te acompanha no teu sofrer, e quando sorriste pela primeira vez inventaram a primavera, pensaram neste sorriso, na criança que descobre ter a mão. Não te preocupes em tentar nos mostrar algo diferente do que está, não é eficaz de qualquer maneira. A verdade e a tentativa de parecer bem andam em ruas paralelas, nunca se encontram, e a tentativa é o problema. Confio em ti, acredito na tua verdade, admiro o teu dizer, admiro os teus dizeres. Estaremos aqui quando voltares. Toque sua caixa, o inverno findará.




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O cotidiano não importa mais, como em um filme nacional. Não nos permitam saber o que comeremos, como andaremos, todas essas tonterias da nossa vida. Saibamos que a essência nos levará a obter respostas individuais e coletivas. A madrugada sempre invade o coração de quem está aflito. O silêncio ainda é a melhor resposta, ferramenta para se encontrar algo perdido em uma multidão. Não mexa no meu caderno, não vigie meus passos, no final, estarei ali , te esperando, chegarei na sua frente e nada mais importará. Sou seu irmão, é meu irmão também, estamos indo para o mesmo lugar, mas você vai pela direita, e eu não sei o meu caminho.






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De que adianta te amar se o inverso não existe? De que me valem todas as flores plantadas em uma cidade se não as quer vindas de mim? Onde estarei no melhor dia da sua vida, o qual será certamente o pior para a minha? Uma maldição pairou sobre a tarefa diária de se concentrar, e de repente se sentiu bem por ali. Um país que não tem bandeira, um povo sem cultura, um raper sem palavras, uma pedra sem matéria alguma. É o mundo agora. Tenho certeza, é melhor não te amar. E sendo assim, todas as cores se transformam em cinza chumbo, e as revoluções entram em uma máquina que as produz em série. As compraremos com manual de instrução. Toda a culpa é sua.





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Sabe o que mais me faz perder todos os sinais da Avenida Paulista? Saber que quando estava atrás, eu andava na frente. E sem saber. Nunca estiquei o braço para te buscar. Talvez hoje saiba que não há mais nada que eu queira fazer tanto quanto te pegar pela mão. A vida me trará outras situações que serão tão boas quanto te olhar? Não existe nada, infelizmente. Não olho seu corpo, não vejo seu cabelo, tampouco suas roupas. Só vejo sua alma. Em um recomeço, não pude enxergar. Do céu, todo o laranja de um fim de tarde de Marrocos, a primeira estrela te olha e pensa, "olha eu ali". Ela sabe que só vocês são assim.






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E ainda te escuto. Ontem mesmo disseste para mim que não me querias mais. Não com palavras, com o silêncio. Aliás, somente não me querias, pois há muito não há aquele 'mais' na frase. E quando houve, o mundo era tão tão que fiquei com medo de te amar. Descobri, sim, aprendi algo, que não há nada que me aproxime mais do amor que a distância.

Paradoxo,

parado!

Para!

Pa...

Para.

Parado,

paradoxo! De nada adianta pedir, não para nunca. É assim, decidi seguir adiante, mas sempre olho para trás, ainda mais quando parece me chamar. E ainda te escuto, mesmo que seja apenas uma impressão.
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Amor, amigos, família. A própria vida. O insignificante prazer de poder viver. O estranho hábito de querermos sempre o amanhã. A fascinante aproximação com o medo, em todas as esferas. Somos humanos. Alguns seres, humanos. Em uma cidade que não enxergamos o céu, já há androides. A rotina é o correto. Acaba sendo o coreto, no centro de uma praça. A amiga de longe, perto novamente. As lembranças do ontem trazem a felicidade. Hoje. E o avião? Acabei de perder.





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A solidão às vezes apavora. Principalmente para quem já sabe o que quer encontrar quando chegar em casa. A união de energias poderia ser automática, mas elas nem sempre são iguais. Espero sua chamada sabendo que não virá. Espero seu perfume com a certeza de que não o sentirei. E a solidão, cada vez mais presente, paradoxalmente, é a única com quem estou. Sigo a placa para a felicidade e todas contêm sua foto. Contudo, nunca consigo te alcançar, e isso me corrói a alma. Só queria estar contigo hoje, e amanhã, e depois falarei a mesma frase. Discursos vazios, corações apertados, cabeças que chacoalham, mãos que não sabem o que fazer. 'Assim sou eu sem você'.
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E chegará o dia em que conversaremos:

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- Antigamente eu andava sozinho no meu carro.
- Ah, mentira! Para quê? Todo mundo tinha um?"



E outro dia, depois deste o dia:

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- Eu andava de carro, sabia?
- Ah, deixa isso para lá. O importante é que estamos vivos e melhores. "


E caminhar nos faz tão bem. Pode ser à noite mesmo, voltando da casa de alguém. Pode ser sem rumo, apenas por andar. Andemos todos, andemos, para que voltemos a encontrar nossos irmãos.



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O amor não é algo que se exija. Não creio muito quando dizem que pode-se conquistar alguém com o tempo. Isso tem tudo para durar o tempo de um suspiro. Temos que estar com alguém não por conveniência ou costume. Tem que haver pernas trêmulas, corações acelerados, mãos suadas, vozes inseguras que falham. Aí sim pode-se começar. Ou, ao menos, se for o contrário, se não houver emoções tão fortes, que seja honesto, que esteja claro, que possua respeito. Ou pode ser diferente. Mas tem que ser verdadeiro. Paixão verdadeira, tesão verdadeiro, amizade verdadeira. Amor, honestidade e respeito, vou fazer uma tatuagem.






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Apoio técnico: Rapha Barros
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Eu não existo. Sou uma máquina de palavras geradas aleatoriamente por um computador. Os sentimentos não são nada além de funções logarítmicas que me fazem pensar o que convém a todos e a ninguém. Mas algo deu errado. Me apaixonei. Pior, estou amando. Melhor, estou amando. Existe uma cura? Continuarei com as minhas impressões, fabricando discursos vazios, sofrendo calado por uma crença que me incrustaram na alma, se é que tenho uma.





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Fiquei pensando em se estava bem. Talvez não muito bem, mas bem. O motivo de não chegar ao muito, neste momento, pensei, é que a vida muitas vezes nos reserva o futuro da maneira como ela quer que este seja conduzido, e que nem sempre concordamos com o caminho. Temos o pequeno pensamento de que sabemos o que é melhor. Penso que contra injustiças devemos lutar. Contra pobreza, tanto financeira quanto espiritual, também. E lutemos pela evolução da sociedade, da bondade, do amor, da tolerância, das relações, das boas relações. Lutemos pela natureza. Mas contra situações cotidianas não podemos. Há coisas que não devem ser, simplesmente porque não devem. E agora, em um exercício para relembrar várias situações, percebo que não há muito o que se fazer. Talvez assim seja o melhor mesmo, e confio, porque acredito, que a vida nos encaminha da melhor maneira possível, com as ferramentas que lhe apresentamos. Todas as vezes que teimamos em fazer o contrário, mesmo sabendo que este é o contrário, o caminho torna-se complicado e difícil. Por isso, vamos ouvir o tango de Manuel Bandeira, enquanto esperamos por outro pneumotórax.







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Existe realmente um modo de fazer revolução no Brasil? Me pergunto isso a cada noite, e às vezes de manhã também. Qual seria a revolução ideal para um país que tem como uma das suas características mais bonitas a pacificidade. Contudo, esta vem acompanhada, talvez não no mesmo carro, da passividade. Então reside aí minha questão: como sair de uma sem que a primeira seja abalada, pois ela é, realmente, muito bonita, sabemos disso. Alguns autores dizem que a corrupção é algo que está arraigado dentro da nossa população, e ela dificulta sobremaneira a melhoria de vida das pessoas. O egoísmo, transformado em individualismo, também aparece como obstáculo dentro de uma busca. Mas como vamos mudar isso? Que revolução seria possível para que tenhamos um mundo mais justo? Revolução interior, isso é fato. Revolução esta que transformará as atitudes em algo sem consequências ruins. Me perco toda vez que começo a escrever sobre o assunto, o que revela minha total ignorância acerca de como fazer para amplificar a mudança. Enquanto isso vou fazer a minha parte. Tento dar amor às pessoas, atenção a elas, confio em todas que não me provaram ainda o contrário. Cuido da natureza. Divido meu dinheiro com quem não possui. Trabalho com o que gosto, faço o que gosto. Amo fazer o bem às pessoas. Amo ajudar as pessoas do meu dia-a-dia. Gostaria de saber fazer mais. Não tenho um guru, e talvez isso, apesar de me deixar um pouco perdido, acentue a minha autenticidade. Não sei se as pessoas deveriam ser como eu, mas deveriam ser corretas. Não dentro de um código pré-estabelecido, mas dentro das premissas do amor; amor ao ser humano. Talvez a grande revolução seja esta para nós brasileiros, a revolução interpessoal, revolução das relações interpessoais, melhor dizendo. Uma das ferramentas que existe é o amor, mas pode-se utilizar outras, de acordo com as aptidões individuais. Sejamos honestos conosco e com o mundo. Creio que esta seja a única revolução que é viável e que não trará outros tantos problemas quanto esses que estamos querendo resolver hoje, e que precisarão de uma outra revolução para saná-los.
Agora, como faremos isso? Como faremos? Como?
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Me gostaria muito lembrar de escrever. Não para você, sobre. Uma coisa, não consigo te encontrar, há tempos. Assim, não me lembro da sua beleza, do seu sorriso. Não me recordo da meiguice, da transparência, ou do seu sorriso. Não há comigo fotos de chegadas ou partidas. Pior, não tenho o dia em que te conheci. A televisão perdeu as cores que havia ganho. Estamos em um bairro da década de 60. Ainda ando, só, pela calçada, fazendo força para encontrar algo que não sei bem. Não. Nunca houve nada que não fosse subjetivo, uma sensação. Afinal, descubro, devemos viver para esta, e não para o jeans. Paro no meio de uma rua sem ruídos, carros, pessoas. Somente a cidade me observa. Fecho os olhos e eles ganham lágrimas. A pele sente apenas o frio e o calor, juntos. Ainda não me lembro de você, mas sei que meus olhos brilham quando a vejo e, da boca um sorriso teima em sair sem que eu saiba o motivo.
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Talvez o que eu espere você não seja capaz de proporcionar. Gostaria de ser feliz contigo. Já sou, mas te queria mordendo a minha boca. Respondendo minhas perguntas, decifrando minha mente, renovando minhas dúvidas. Seria tudo mais laranja, amarelo, cor-de-rosa, seria como maio. Pois, sei também que o que quer de mim eu não posso te dar: deseja que eu siga minha vida sem você, que todas as minhas supostas mentiras sejam metidas dentro daquele vaso de uma sala que não tenho. Não posso, não existem mentiras, somente as que eu ainda não inventei. Sei que não precisarei. Continuo não jurando nada desde o dia em que a conheci.



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Um período de certeza,
a pessoa da vida, de toda ela.
Simpatia, beleza, ternura.
Os planos, todos, a têm como principal transformadora de rotinas.
De repente tudo muda, e não se tem a resposta que esperava.
Há um problema, expectativa demasiada.
E, ainda, simpatia, beleza, ternura.
Os encontros já ocorrem sem a alegria da certeza.
Sem esta, o fim se aproxima...
Chegou.
Deixou apenas simpatia, beleza, ternura.



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Sinto-me preso dentro de casa. Sou um estranho em meu quarto. As convicções daqui não são como as do meu lar, a minha alma. Será que consigo fechar os olhos para atravessar a sala? Impossível, sempre que tentei fazê-lo eu sumi. Ouço diversos idiomas em conversas que não consigo compreender. Talvez nem queira, amo o meu Brasil, aquele país que, segundo Bandeira, é aquele que trazemos dentro da alma. Talvez seja o momento de entrar na avenida e desfilar, não há mais o que ensaiar, sempre há imprevistos. Chegou aquele momento em que o portão não possui mais chaves, é preciso sair, é preciso, preciso.


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Está começando. De novo. Mais uma vez as flores parecem querer nascer, em pleno outono. Não seria forçar uma situação pelo medo de se estar só? Pode ser. Mas a gente não se importa com isso, é apenas o início de mais uma desilusão. Busco essa certeza na mesma bula dos outros remédios, remédios semelhantes, remédios que não tratam, não curam, apenas amenizam a dor para que se possa morrer em casa, ao lado dos dois filhos. Onde estaremos no ano que vem? No mesmo lugar, a menos que busquemos o verdadeiro significado do amor. Um amor informal, atemporal, que soma, auxilia, prepara, cuida. Um amor que não necessita de dois gêneros, mas que quando for atingido, estes se encontrarão e caminharão por alguma calçada. Talvez dêem as mãos, a esquerda com a direita, mas se não derem ainda assim estarão felizes. Afinal, a vida que compensa é a da felicidade. E esta se alcança, facilmente, com o amor.











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Foto: Ro Lacerda
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Sabe o que dói mais? Não é a falta que faz andar encostando os anéis, tampouco não te entregar aquela flor que peguei hoje. Não ter você me esperando quando chego de viagem, não ter o jantar naquela segunda-feira de frio, nada disso me machuca tanto. O que mais aperta o meu peito e faz com que eu tente mudar meu pensamento é saber que você está certa; eu não a amo como digo, consigo viver, tranquilamente, sem você e, pior, prefiro assim. Mas por que jurar tanto? Medo de te perder. Egoísmo por não querer ver a sua graça com outro alguém. Pretensão por imaginar que ninguém pode ser feliz longe de mim. Pequenez por querer fazer do meu quintal o seu mundo. Tenho pena de mim por ser assim, mas eu não me escuto, e estou, seguramente, fadado à solidão. É uma pena, pois te amo tanto.
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No instante que imagino que vou morrer penso que preciso te dizer que se aquele fosse meu último instante, queria que estivesse comigo. Que se tivesse 10 segundos até a última respiração, gastaria todos pensando em você, lembrando do quão singular são seus traços, estes pelos quais me apaixonei. Não pensaria no meu arrependimento que cultivo desde o último dia em que a vi e não te disse nada do que gostaria de ouvir, mesmo sabendo que eu teria muitas verdades das quais sorriria. Não imagino que estou longe, que estamos longe, que está tão mais perto do que Marrocos. Mesmo tão perto não te dei nenhuma flor. Mesmo tão perto, fiz parecer tão longe, e se os espaços dados por estas linhas fossem mais apertados, talvez conseguisse chegar mais perto de você, e, sem jurar nada, dizer tudo, sem utilizar uma só palavra. Não tenho mais tempo.














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Foto: Bruno Rocha
Apoio: Naia O.
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Hoje eu te entendo. Quando disse que em um encontro coisas boas voltaram à lembrança, e que pôde ter a certeza, mesmo que por um dia e meio, que sua alma estava longe. Encontrou-se dentro de uma Xangai. A vida por vezes nos leva a países onde não podemos sequer desejar um bom dia. Tenhamos grandeza para enxergar que no céu há tantas estrelas que nos perdemos ao contá-las. Apaguem as luzes da rua, das casas, preciso encontrar o caminho para te levar de volta para casa. Traga seu amor, seu sonho, não pense que eles não podem mudar o mundo. Lembre-se dos desejos de menina, hoje você é mais forte, podemos alcançá-los. Precisamos do seu amor para que a luta não tenha armas, apenas corações. Ame todos, todos os dias. O jornaleiro sorrirá.





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Foto: Marina Vaz

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Como pode ter saudade de quem nunca mais se viu? Como pode existir um sentimento que sente-se tão grande, esmagado contra o peito, sufocado por uma rotina dilacerante, encostado na porta ao lado? Como tememos um futuro que não conhecemos, e que, contraditoriamente, pecamos pela falta de ação para que ele se torne agradável? A vida não é como queremos por falha nossa. O mundo não é um lugar melhor para se viver por responsabilidade daqueles que possuem inteligência e não a utilizam. Todos nós. O cotidiano sente falta do amor, e não o exercitamos. As pessoas se afastam mais a cada dia, ao contrário da necessidade da aproximação. A natureza ainda é alvo de, loucos, gananciosos, limitados, limitados sem dúvida. Deveríamos ter mais hortas em nossas casas. Ter menos desperdício de energia em nossas vidas. Menos geração de lixo, menos consumo irresponsável. Mais amor. Mais amor. Eu sinto que amo.


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Quantos filmes em um só dia. Assisti a todos buscando algo que não sei se realmente encontrarei ali. Eram o pedaço de uma vida que poderíamos ter vivido, é uma boa alternativa para se fugir da melancolia da rotina na Terra do Nunca. Pois, ainda preciso te ver, mas de tão longe creio que não consegue ver os meus sinais. Estou aqui olhe, estou aqui.


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Foto Bruno Rocha
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E te digo: quando for para amar, faça-o como desde o início. Cuide de si e do outro, e do amor, e do amor, para que não se transforme em um filme de Wood Allen. Não se permita querer não estar ali. Não deixe que controlem sua vida como se fosse a maneira correta. Não é. Pense em dizer isso à televisão. Ou melhor, não tenha uma. Seja crítico. Tente fazer algo para mudar, não a sua vida, mas a vida. Cobre honestidade. Se indigne com corrupção, corrupções. Deite à noite sabendo que a Amazônia será sempre do mundo, será sempre verde. E seu amor, ao lado, será da cor que você quiser, não necessariamente vermelho, ou cor-de-rosa. Não há problema algum em ir a um casamento com o vestido errado, pois não há vestidos corretos, mas preconceitos, estes, sim, errados, sim sim. Vá com um tecido que exercite sua coragem. Siga de ônibus até Brasília e faça uma vigília contra o que achar que pode mudar a vida do menino que você viu, ao caminho da rodoviária, tentando te enganar com um drops para comprar, não comida, como ele disse, mas qualquer outra coisa. E desde o início, desse texto e da vida, ame tudo o que fizer para o bem. Pegue o sentimento que recebia quando tinha 1 mês de vida e replique-o, na mesma dose, para o mundo. Servirá para que consigamos salvá-lo. Andemos menos de carro, saiamos mais de casa, discutamos mais nas esquinas, intentando encontrar a saída para os problemas da sua rua, do seu bairro. Busque a visão macro do problema, e nunca desista. Não cuide da vida individual, não tenha essa pretensão. Enquanto estiver preocupado com o mundo não sobrará tempo para futilidades. Ouça sua família, ou seja, seus amigos. Ame todos. Sinta-se culpado pelo que realmente faz de errado. Somente isso.
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As minhas lembranças cabem todas em uma pasta. Metade da minha vida resumida a uma pasta de papel. Ando nas ruas procurando algo que sei que não existe. "Encontrarei", ainda digo em voz alta. Em silêncio acho um desperdício. Preciso me lembrar de sair mais de casa. Também de me trancar mais e estudar. O quê? Não sei, mas sempre há algo. Assim como nas ruas. Na rua. Pois digo que um homem precisa de sua casa, e esta é o mundo, todos os lugares e esquinas, praças, todas as calçadas. E as pessoas? Minhas famílias. Todos eles, umas mais fáceis de conviver, agradáveis, outros o contrário. E os amo. Mas os amo. Nossa casa está dentro do nosso peito, com as famílias morando ali, juntos, junto.




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Nós! Como doía. Não acaba, nunca, pensava. A vida poderia muito bem continuar sem mim. De qualquer forma ela continua, mas eu precisava deste drama. O pensamento fica viciado em alguém, só enxerga um caminho. Seria lindo se fôssemos por ele. Contudo, há muitas flores nascendo ao mesmo tempo, mesmo no asfalto, e todos os dias. Só precisamos regá-las. Sentia sua presença em vários momentos. Ainda sinto. Poderia te escrever dois livros por hora. Ainda posso. E tudo continua, sempre. Assisto a um filme e consigo não lembrar de você. Mas qual a razão de eu estar escrevendo, então? Parei.




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(foto: Laise T.)
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Como posso, ainda, sentir saudade? Há muitos motivos, diversas razões, mas não teria a pretensão de listá-las, por temer o risco de esquecer uma das milhares. E muitas formas de saná-la. Nos escondemos atrás de uma rotina que certamente nos esmaga, dilacera nossas intenções, machuca nossa alma. Deixa, por vezes, cicatrizes doídas, tristes, tristes. Seria grande o dia em que conseguíssemos dar um passo à frente, depois dois, e três. Seríamos felizes, certamente, se andássemos mais nas ruas, sem nos preocuparmos com a quarta, tampouco com a sexta-feira. Teríamos todo o restante da vida para deixar o carro andar, só, e daríamos as mãos ao olhá-lo. A vida recomeça hoje. E amanhã também, mas com um dia a menos. Tenhamos grandeza, tenhamos grandeza. Os domingos certamente serão diferentes. Os sábados, as sextas. Perderemos, ganharemos, iremos evoluir. Por quê? Por nos dizerem que é o correto? Não, fatalmente porque querermos, até o ponto final de uma vida. É isso. Ou aquilo? Não me lembro. E não juro mais nada desde o dia em que te conheci. Agora sim, é isso.



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Por que será que tem dias em que eu não consigo escrever meu livro? As limitações dos seres humanos beiram à ironia para quem as percebe vendo de fora, mas podem levar à insanidade para quem as possui. Será que vale percorrer todo o caminho da vida tentando lutar contra essas limitações? Depende se o incomodam realmente, ou se tentar se livrar delas for algo que estão te dizendo que é bom. Procure a sua felicidade, mas a sua. Ao menos, procure se estiver feliz.



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Foto: Láise T.
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Como podemos ficar sem escrever? E sem pensar? Os homens maus, sem amor, querem mesmo que a gente seja assim pela simples consequência de se manterem no poder? Que coisa baixa, pequena. Não podemos ser assim, em qualquer lugar do mundo, aqui ou em Cuba. Temos que aprender o dom da criticidade. Essa é uma boa saída para se encontrar o verdadeiro amor. Descobriremos que amamos não o que querem, o que nos apresentam como fórmula, um remédio pronto, que buscamos na farmácia da rotina. Aprenderemos a amar o que simplesmente nos toca. O que nos toca? É isso, exatamente o ponto, não sabemos, temos que descobrir, analisar os diversos meios e modos para se chegar às respostas. E no dia em que chegarmos, espero que consigamos dormir com portas abertas, cabeças tranquilas, sonhos felizes, companhias agradáveis, sonhos felizes, sonhos.












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Foto: Paula Gil
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11 dias. 11 para a chegada da flor. Encomendei para que conquiste o amor com ela. A regarei, prometo, todos os dias, e farei tanto carinho quanto suas pétalas suportarem. Perdoe-me se um dia cair alguma por culpa minha. Estou aprendendo que a sutileza pode trazer consigo muita intensidade. Você me ensina. Se eu puder te ver novamente, te darei a minha flor. É o que eu mais quero.





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foto: Roberta C.
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Mas escrevo-te para dizer que tenho saudade. Escrevo para que saiba que é uma pessoa especial. Escrevo para te dizer que os negros, tanto os nossos quanto os outros, são lindos. Escrevo para que nunca se esqueça que há alguém que sempre gosta de ti. Para dizer que o meu mundo não está tão bom quanto eu gostaria que estivesse, que o meu povo está sofrendo demais, mas tenho esperança de que tudo melhore, afinal conheço pessoas assim.



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Menina, estamos tão longe. Há tanto tempo assim. O que te agrada mais em uma noite com poucas estrelas? Como você reage a uma injustiça? Qual a cor do seu esmalte naquele dia? Qual dia? Tanto faz. O importante é o sentimento, gostar por gostar. 'O tempo é o melhor autor, sempre encontra um final perfeito', li isso algum dia desses em que não te tenho por aqui, espero que seja verdade. Como são boas as pessoas boas. Não precisamos de nada para gostar, apenas gostamos. E é contigo, apenas gosto. Se os seres humanos estivessem assim, todas as pessoas poderiam atravessar a rua quase que imediatamente. Gostar por gostar. Fico feliz por ser.
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A gente se gosta tanto. Que bom que te tenho comigo. Eu esperava ter uma vida feliz, você também. Talvez não saiba, mas fez isso por mim, sua presença na minha vida traz o calor, a alma, a vida, a vida. O amor. O amor da minha vida é você. São vocês. Todo o peito que agora luta para se manter vivo só o faz porque existe alguém assim. Sim, como você. Os carros de repente param, todos eles, o silêncio toma conta de uma cidade, as flores nascem, as nuvens deixam o caminho ensolarado para você passar. Pronto, agora que passou o caos voltou. Porém, todos se lembram daquele momento, um momento. Foi você.












..."
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Um dia entenderemos, todos, que algumas coisas poderiam ser diferentes; ainda somos fracos demais para aceitar isso. Tememos tanto, mas se não abrirmos a janela nunca teremos o sol. Recorro aos escritos e ao amor para tentar estar feliz. Considero que não entendo nada do que você escreve, mas gosto muito, e isso me deixa maluco. As frases, muitas vezes, não encontram o caminho considerado correto, mas deve-se prestar atenção pois, ao chegar no final, pode-se compreender que, olhando-se para trás, todas as palavras já foram ditas na rua, e que não perceber a beleza e a complexidade de cada uma delas nos leva a um mundo onde a velhice é a pior das doenças, o olhar uma arma, as histórias, todas elas, tempo perdido. A sensibilidade da madrugada é tão bela quanto a beleza de um sol das 6 horas, qualquer uma das seis horas. E o caminho? Continua.




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Y

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O mundo parou para ver esse momento. Os ônibus da Europa, todos eles, as carroças de Analândia. Os pássaros, não mais beberam água. Apenas os músicos entoavam a mesma música, ao mesmo tempo, com a melodia mais ímpar do último ano. Todos atentos, olhando para o instante em que nos encontramos. Como aconteceu? Todos perceberam o que tocava comigo? Acho que não soube disfarçar. Naquele momento gostaria que você sentisse ciúmes de mim, que me pegasse pela mão e me mostrasse algum caminho. Um velho nos olha com a apreensão de uma vida que pode fugir. Quando me tocou tive a certeza de que não fugiríamos mais, como fizemos até aquele momento. Agora seria para cem. Pre. Que bom.





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Ontem li algo dizendo as rosas não falam. Subitamente me lembrei de alguém muito querida. Uma pessoa capaz de unir todas as qualidades necessárias para se formar um caráter magnífico. Alguém que quando desperta de manhã já inicia no mundo uma transformação benéfica. Por vezes sente-se sozinha em sua luta; lembra-se, porém, de que há pessoas tão comprometidas quanto ela nessa caminhada. Todavia, nenhuma com seu sorriso. Decretarei como de interesse público essa característica sublime se algum dia chegar ao comando de qualquer nação. E, chegando a essa conclusão, percebo que concomitantemente meus pensamentos se convergem para uma final: apesar de não me lembrar qual foi o poeta da expressão da primeira frase, acredito que ele apenas o escreveu por ainda não ter conhecido ela. Eu o digo, senhor escritor, sim há uma rosa que fala.
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Ganhei um anel, e um tênis. Nada do que eu gostaria: um amor, uma paixão. Um arco-íris junto com pôr-do-sol. Talvez seja possível o pôr-do-sol. Olho para o lado e vejo uma menina sentada na janela. Quando iria dizer, ela se foi. Muitos ainda a procuram, não o faço. Olho para o mapa e localizo uma cidade onde não consigo chegar. Ao menos ganhei um anel.






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Fico pensando se a gente tem mesmo um cheiro. Eu não conheço o meu. No meu quarto, sempre entrei sem que percebesse nada. Mas de repente me vem você. Consigo sentir o seu perfume mesmo sem respirar. As árvores dançam o bailado dos ventos e trazem a mais linda música para dentro de minha alma, do meu coração. Mesmo longe está comigo, todos os dias, pois já há um pedaço do meu coração que é seu. Um dia perceberei o quão fácil é atravessar uma rua. Por enquanto fico aqui, deste lado da calçada, te olhando cada vez mais bela, cada vez mais longe, cada vez mais dentro de mim.



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Perdão, será que eu mereço? Não me julgue por hoje, preciso te mostrar que sei te escutar. Quero isso para sempre, te escutar todos os dias. Se não fui eu é por que não era o meu mundo. Me imaginei tendo que te seguir, sempre. Mas você não estava ali. Foi-se com a bagagem levando minha vida dentro, e eu não estava com você para te ajudar. No meu universo isso não pode ser. Se você deixar minha vida na Bolívia não poderei te perdoar. E se voltar e não tiver levado essa minha vida, então, posso te dar outra. Te darei tantas quanto forem necessárias para provar que eu nasci para te fazer sorrir, essa é minha missão, esse é meu desejo. Mas para que tudo isso aconteça, para que eu consiga preparar seu café, preciso de algo mais valioso que todas as revoluções juntas: você. Deixe-me cantar aquela música mais linda, "E vou, E vou, e Fui", aprender a tocar um violão...






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Quantas sensações diferentes em um só dia. Ainda hoje posso me lembrar. A chuva caindo, fazendo a alegria de uma mãe. As árvores dançam, as flores as acompanham. Tudo acontecendo bem ali, e todos vivendo suas vidas tão importantes que não têm tempo para isso. De repente, entro em um quarto e uma luz vem nos visitar. É uma luz da cor de Marrocos, laranja, amarela, cor-de-rosa. Um fim de tarde. A luz não esquenta, parece estar ali somente para provar algo que não consigo identificar. Os olhos não encontram nenhuma dificuldade para se acostumar. Do contrário, encontraram ali sua morada mais agradável. O conhecimento ocupa todos os cantos, como se fosse um gás, letal ou não. Mais uma vez as pessoas, absortas em suas rotinas entediantes, não se comovem com isso. Já perderam a alegria de uma criança. Ao menos os pássaros ainda cantam. Podemos ir agora? Ainda não. Ainda não.



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Foto: Lis Felis
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Que inspiração é essa que visita sem que me deixe tocá-la? Que orgulho é esse se esconde atrás de uma palavra? E essa palavra que tem o poder de armazenar uma vida dentro de si? Aquela inspiração vem de tempos em tempos, aguça meus sentidos, mexe com a minha cabeça, trás à presença lembranças até então esquecidas dentro de algum quadro. Estas se misturam com as idéias novas formando uma nova realidade. Ou seria transformando a realidade? E idéias e realidade se misturam em algum momento? Certamente, combustível do romântico.




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Mesmo longe sou capaz de sentir a sua presença. Nos dias que fomos apenas um pude perceber sua força, e me questiono o porquê de eu ter que viver longe dela. Ainda hoje, tenho o dia em que te percebi guardado no meu bolso. Ele é único, intenso, e posso senti-lo em diversos tempos. Depois disso nada é igual. A vida, nunca será a mesma. Você está em mim. No meu coração há um lugar que já é seu. Até quando? Desejo que sempre. Certeza para um romântico, impossível para o céptico. Contudo, este não tem o direito de tirar o sempre de mim. Não conseguirá arrancar a beleza que existe naquela música. A música de um sonho. Sonhos. Sonho em ser um novamente. Sonho no dia em que o sol encontrará o girassol, único motivo da vida deste. O girassol vive apenas para encontrar seu sol, e o astro, para acompanhar a flor. Essa é sua função, acompanhar a mais linda flor. Ele te seguirá.




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Um lapso chamado Tijuca

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A Tijuca ganha uma qualidade rara em suas ruas. Um balanço, uma mistura, uma graça com inteligência. Carisma. A brisa certamente atenderá o pedido e soprará todas as vezes quantas forem necessárias. Os sons manifestarão todas as vontades ocultas, oprimidas, esmagadas em um canto vazio de uma sala repleta de saudade. Que saudade é essa? Uma nova, a de hoje, diferente da de ontem, intensa, pequena, forte, brega. Boa, boa. 2 beijos se dão. 2 beijos deixarei.


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RECESSO PARA O CARNAVAL

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Considerando uma paixão sempre presente pelo carnaval, mais especificamente por escolas de samba, e mais ainda, pelo Tom Maior, esse espaço voltará a receber postagens dia 23 do presente mês. Aliás, é impressão minha ou o tempo corre mais rápido à medida que nos importamos mais com ele?


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Eu fiz o que não deveria. Certamente te magoei. Prefiro a dor de todos os czares russos à sua indiferença. Mas se eu errei foi por te amar demais. Não acreditava quando me diziam isso, mas hoje posso ver que não tentavam se justificar. O amor teve o poder de colocar um outro ator em meu papel. O será que este é o verdadeiro? Talvez eu só consiga ser eu quando te amo? Responda-me, por favor. Não. O silêncio da sua voz me leva à percepção de que sou surdo. No mundo há dois tipos de pessoas: as tristes e as que te conhecem. Não posso acreditar que alguém seja de todo feliz se não a tem no sofá. Eu penso que estou enlouquecendo. Tento apertar alguma mão mas vejo que meus vizinhos já se foram, há muito tempo. O que farei? Ainda não ouço nada. Mas minha natureza pede que continue assim, se eu voltar a escutar, voltarei a vê-la triste. E sempre será assim. Ao menos tenho uma música na minha memória, e a canto todos os dias. "Serei, serei, será"...



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DaBel.

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Percebi a falta que me faz. Tenho calafrios de consciência ao imaginar o que estou perdendo com essa distância. Quantos sorrisos, abraços, olhares, dizeres, frases. Quantos? Quantas vezes perdemos a oportunidade de estarmos juntos. Apenas por estar, sem dizer nada com palavras, usando somente nossos corpos. Sua energia me faz bem. Seus astros parecem estar todos dentro da minha casa. Às vezes eu tenho a impressão de estarmos olhando para a mesma estrela. Se isso não for verdade não me tire esse sonho. Contra a saudade recorro às lembranças, às linhas, ao coração. Deixe-me vê-la ao menos uma última vez. Estou indo...


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É o carnaval que se aproxima! Ou é o carnaval que aproxima, sem o "se"? Nada disso, a vida aproxima, o ser humano tem esse direito, deveria exercê-lo em maior escala. Quanto tempo levaremos para começar a viver as nossas vidas? Atualmente sempre programamos para depois de algo. Temos que ver quem gostamos, sempre. A internet tem como uma das causas esse defeito, o de diminuir o mundo em detrimento da proximidade real. Hoje recebi uma má notícia. Eu fui até a casa de alguém para vê-la, mas ela não estava mais lá. Quero muito que volte logo, para eu sentar no chão e ouvir seus contos, qualquer um. É um indicador de que a história que está sendo escrita não é a ideal. Já estou indo...



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"Eu, vô.

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O tempo parecia nunca ter parado para nós; algumas vezes até parou, mas foram tão rápidos esses momentos que nem pudemos perceber. Contudo, chegou o nosso dia. Mais ainda, ele agora parece voltar, o relógio corre ao contrário. Que lindo, quanta beleza há aqui, quanta riqueza, conhecimento. Mas de repente... O que é isso? Está tudo muito rápido. Não, por favor, me deixe ficar mais um pouco. Não posso, nunca mais ficarei. Não daqui para frente, dessa vez foi para sempre. O que posso fazer se não mais o terei? Lembrar. As noites foram maravilhosas, me fez descobrir a sensação da eternidade, sempre terei isso comigo. É a única coisa que me sobrou, além de um relógio e duas bengalas. A lembrança, suéter vermelho no filme em preto e branco. Algo bom em meio a tanta saudade. Mas eu devo suportar, estou fazendo. Contudo não pude dizer uma última palavra, será que ainda é tempo? Tchau. Ou obrigado? Bom, se puder dizer uma, talvez aceite essas duas, ainda.



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