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As minhas lembranças cabem todas em uma pasta. Metade da minha vida resumida a uma pasta de papel. Ando nas ruas procurando algo que sei que não existe. "Encontrarei", ainda digo em voz alta. Em silêncio acho um desperdício. Preciso me lembrar de sair mais de casa. Também de me trancar mais e estudar. O quê? Não sei, mas sempre há algo. Assim como nas ruas. Na rua. Pois digo que um homem precisa de sua casa, e esta é o mundo, todos os lugares e esquinas, praças, todas as calçadas. E as pessoas? Minhas famílias. Todos eles, umas mais fáceis de conviver, agradáveis, outros o contrário. E os amo. Mas os amo. Nossa casa está dentro do nosso peito, com as famílias morando ali, juntos, junto.




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Nós! Como doía. Não acaba, nunca, pensava. A vida poderia muito bem continuar sem mim. De qualquer forma ela continua, mas eu precisava deste drama. O pensamento fica viciado em alguém, só enxerga um caminho. Seria lindo se fôssemos por ele. Contudo, há muitas flores nascendo ao mesmo tempo, mesmo no asfalto, e todos os dias. Só precisamos regá-las. Sentia sua presença em vários momentos. Ainda sinto. Poderia te escrever dois livros por hora. Ainda posso. E tudo continua, sempre. Assisto a um filme e consigo não lembrar de você. Mas qual a razão de eu estar escrevendo, então? Parei.




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(foto: Laise T.)
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Como posso, ainda, sentir saudade? Há muitos motivos, diversas razões, mas não teria a pretensão de listá-las, por temer o risco de esquecer uma das milhares. E muitas formas de saná-la. Nos escondemos atrás de uma rotina que certamente nos esmaga, dilacera nossas intenções, machuca nossa alma. Deixa, por vezes, cicatrizes doídas, tristes, tristes. Seria grande o dia em que conseguíssemos dar um passo à frente, depois dois, e três. Seríamos felizes, certamente, se andássemos mais nas ruas, sem nos preocuparmos com a quarta, tampouco com a sexta-feira. Teríamos todo o restante da vida para deixar o carro andar, só, e daríamos as mãos ao olhá-lo. A vida recomeça hoje. E amanhã também, mas com um dia a menos. Tenhamos grandeza, tenhamos grandeza. Os domingos certamente serão diferentes. Os sábados, as sextas. Perderemos, ganharemos, iremos evoluir. Por quê? Por nos dizerem que é o correto? Não, fatalmente porque querermos, até o ponto final de uma vida. É isso. Ou aquilo? Não me lembro. E não juro mais nada desde o dia em que te conheci. Agora sim, é isso.



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Por que será que tem dias em que eu não consigo escrever meu livro? As limitações dos seres humanos beiram à ironia para quem as percebe vendo de fora, mas podem levar à insanidade para quem as possui. Será que vale percorrer todo o caminho da vida tentando lutar contra essas limitações? Depende se o incomodam realmente, ou se tentar se livrar delas for algo que estão te dizendo que é bom. Procure a sua felicidade, mas a sua. Ao menos, procure se estiver feliz.



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Foto: Láise T.
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Como podemos ficar sem escrever? E sem pensar? Os homens maus, sem amor, querem mesmo que a gente seja assim pela simples consequência de se manterem no poder? Que coisa baixa, pequena. Não podemos ser assim, em qualquer lugar do mundo, aqui ou em Cuba. Temos que aprender o dom da criticidade. Essa é uma boa saída para se encontrar o verdadeiro amor. Descobriremos que amamos não o que querem, o que nos apresentam como fórmula, um remédio pronto, que buscamos na farmácia da rotina. Aprenderemos a amar o que simplesmente nos toca. O que nos toca? É isso, exatamente o ponto, não sabemos, temos que descobrir, analisar os diversos meios e modos para se chegar às respostas. E no dia em que chegarmos, espero que consigamos dormir com portas abertas, cabeças tranquilas, sonhos felizes, companhias agradáveis, sonhos felizes, sonhos.












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Foto: Paula Gil

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