quinta-feira, 1 de julho de 2010

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De que me adiantam os olhos se não sei enxergar? De acordo com o porteiro de um prédio vazio, que ouve seu programa de rádio sem intervalos comerciais, de nada servem os globos. Me disse que abria todas as cartas que chegavam até ele. Em uma delas aprendeu que há outros modos de se perceber realidades de maneira honesta. E é só ser sincero que se pode. O dia chega ao fim, os ouvidos agora escutam mais. O nariz identifica a placa de um veículo, as mãos sentem o amor que vem de dentro de um jardineiro. Este sequer sabe que tem isso dentro de si, ainda é um cego. Cegueira programada por uma sociedade que acredita no possuir como resposta para todas as perguntas, inclusive as que não foram feitas. Um menino está sendo ensinado. Logo aprenderá, mesmo sendo mais tarde que o ideal.











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quarta-feira, 16 de junho de 2010

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Quando penso que te vi, o coração acelera. Tal que fico pensando se existe outra emoção. Na vida. Sabes que quando chego perto de ti, o verão aparece com força. Sei que não posso dar tudo o que mereces, pois precisaria de quatro mundos para isso, mas tudo o que conseguir pegar deste te darei. Te darei amor, já tens o meu, te darei carinho, já tens todo o meu. Te darei tudo o que eu conseguir carregar no meu colo, o que o presidente achar difícil, o que a criança quiser para brincar. Consigo a vida, o dia, a saudade e a saudade. Saudade de ficar preso contigo, e livre para te ver correr. A minha vida é assim agora, e espero que continue. Continua.










 

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terça-feira, 8 de junho de 2010

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E dizem que eu não quero a paz. Como ser a guerra se esta ainda não terminou? Não sabemos como é. Nas ruas pessoas andam sem seus rostos, apenas seguem a luz de uma televisão. Quando ela se apagou, as rodas de conversa frequentaram as salas de rodas de conversa. Penso que estas têm medo de luz. Crianças que temem o escuro ouvem conversas nas rodas. A vida brilha. Mas que pretensão a minha, salvar o mundo. Alguns similares são vendidos em feiras populares. Entulhos se espalham pelas calçadas, entulhos de gente. Pedintes ainda ouvem mentiras a todo instante, e nós sabemos que somos culpados por inventá-las. Vamos logo, partiremos às 6 horas, o rumo é longínquo. Ao menos ainda há rumo.






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terça-feira, 1 de junho de 2010

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Está tudo claro, ficou tudo escuro. De um, dois e três dias, de ontem, hoje e amanhã. Da vida, sem dúvidas, de uma vida que não consegue se levantar do sofá. O mundo precisa de pessoas boas, precisa de amor. Conseguiremos ser aqueles que se levantam do sofá. Isso é uma afirmação. Não deixaremos o mundo ir embora sem que lutemos por ele. Não conseguirei respirar se o mesmo se multiplicar, como tem sido até hoje. A televisão segue ligada, mas é tão óbvio que ela está nos deixando cegos. Por sua luz, por sua falta de luz também. Os livros seguem empoeirados, e as universidades fechadas para o povo. Que coisa é essa que não consegue ser mudada? Não conseguia, vamos mudar. Comecemos. A indignação já é a metade do caminho, a metade asfaltada. Entraremos na outra, a de terra, por isso não será confortável. Mas precisamos mudar. Precisamos. Precisamente, mudar.





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segunda-feira, 10 de maio de 2010

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A melancolia sempre visita minhas linhas. Aliás, nossas linhas. Vem acompanhada de uma tristeza, uma tristeza quase sempre boa. Imagino que sem elas não escreveria qualquer página deste um livro. A capa maleável e as folhas duras. O papel não é especial, mas sim o mesmo que se encontra aos montes no Lapa 856-R. Próxima parada: Estação Sumaré. Pronto, chegamos ao destino, ao início, à tristeza e à melancolia. Um campinho de terra, uma quadra rachada. Tubos de esgoto sem esgoto, pontes com luas lhes contornando. Noites famintas. Olhos brilhantes. Amigos que só podem nos olhar de cima, seus corpos tão fundo. Lágrimas que correm sem autorização, pecados cometidos, sorrisos que valem todas as crianças juntas. Memórias, memórias, memórias. Olha aí.




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domingo, 11 de abril de 2010

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Eu vejo sua foto e sinto o seu cheiro. Vejo sua blusa e penso que não há no mundo nada igual a ela. Explico coisas confusas, rimo amor com flor, não encontro conexão entre coisa alguma e o todo junto. É difícil pensar no fim de algo que parecia o começo. Estranho ouvir bossa nova, se esta não é popular como dizem. Diferente da batucada, do som de uma cuíca, do toque de um pandeiro, daquele pandeiro. Como eu amo você. Como eu gosto do samba. Acho que encontrei a diferença.




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quarta-feira, 31 de março de 2010

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Cadê que não está aqui para te coçar a cabeça? Onde foi parar o boa noite que, ao sair tão suave de sua boca, parece que vem da sua boca? Cadê o seu corpo esquentando o meu até o ponto de não haver, nunca, o inverno? Está longe, e digo que é melhor que fique aí, não será bom hoje. Amanhã talvez. Ontem com certeza. O porteiro observa tudo indiferente, já se acostumou com as pessoas, de tanto olhá-las sem ser percebido. Sem ser percebido percebe muito mais coisas. Antes eu percebia tudo, agora, só percebo você. E o poeta volta a me guiar, e eu volto a me deixar.






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Documentário Parque Estadual Serra do Mar Núcleo São Sebastião

Como diz o samba do Salgueiro de 2024, "falar de amor enquanto a mata chora é luta sem flecha da boca para fora".