terça-feira, 21 de setembro de 2010

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E o rancor. Que rancor define um futuro? Para o bem, digo. Qual porção deste sentimento é capaz de encontrar sorrisos leves (sorrisos deveriam ser todos assim)? Ah sim. Cá estamos novamente, com a tragédia anunciada; a paixão mais uma vez nos fez sofrer. Mas que seja só o primeiro sofrimento, só ele. O do rancor, acredite, fará com que juros sejam cobrados. Juros de sofrimento. Juros. Juro.










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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

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Hoje vi dois gigantes. Um, no ponto de ônibus por uma janela suja (dentro de um ônibus de cidade grande). Outro à esquerda da Rua Direita. Talvez trouxessem meu coração que sumiu de um longe onde eu o havia deixado. Deixei no longe, do longe, um dia, sumiu. Por cá apareceu. Por que voltou? Não gostava do clima frio? Das calçadas diferentes? Motociclistas sem capacete? Nada disso. Como se possuísse uma boca, talvez melhor que a própria boca original, o coração contou, com as bombeadas de um ritmo sem nação: um, dois, três. Depois confessou: saudade da saudade que só dá aqui.







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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

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Qual é o país que nos importa? O país das ruas, das padarias, dos mercados. Dos cachorros que passeiam com seus donos, dos medos que imputaram ainda na infância das pessoas. A polícia é sempre a mesma. O asfalto queima tanto no calor que se percebe em qualquer parte onde haja asfalto. Os sorrisos... Como faremos para que se mantenham nos rostos de quem os quer em seus rostos? Em quinze dias pode-se perder o resultado de onze meses. Investimento humano. Descascadores de banana, comedores de enlatados; todos merecem o bom dia de todos os dias.







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domingo, 22 de agosto de 2010

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Se estivesse mais perto que um braço, a tomaria. Se a encontro na minha esquina, tenho tanto para falar. Se me escuta, lhe digo que pensava em fazer uma tatuagem, mas desisti, que um dia gostei de roupas que falam - ou dizem, dizem é mais adequado aqui - que dizem ser da moda, que as cebolas me fazem chorar, inclusive depois de cozidas. Se eu não me engano já sabe disso. Se me sorri, mostro o sorriso que trago dentro de mim desde que a vi. Se existe alguém, estou certo que você é alguém. Se não posso ver-lhe, se vai tudo, se diminui a força que faz a terra girar, por isso o tempo se demora tanto assim desde que a vi em sua porta em agosto último. Ce, se... Se perdi.







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domingo, 15 de agosto de 2010

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Um poeta foi preso. Tentou descrever sensações e estas tornaram-se indescritíveis, segundo decreto do presidente do mundo, há 4 dias. Também, não se pode mais rimar, tampouco versar palavras desencontradas. Os senhores das letras sentem-se inócuos. Cartas escritas à mão com a serenidade de um bom dia acumulam-se nos quintais. Não existe mais qualquer música, apenas um amontoado de notas. Que triste fim para os poetas. Alguns inclusive tratam de conseguir clientes em suas novas farmácias; creem que, assim, poderão salvar tantas vidas quanto com uma estrofe. Os poetas se vestem de branco, e já não assinam com essa profissão. Vestem branco e não são pais-de-santo, vestem branco e vendem remédios. Branco.




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quinta-feira, 1 de julho de 2010

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De que me adiantam os olhos se não sei enxergar? De acordo com o porteiro de um prédio vazio, que ouve seu programa de rádio sem intervalos comerciais, de nada servem os globos. Me disse que abria todas as cartas que chegavam até ele. Em uma delas aprendeu que há outros modos de se perceber realidades de maneira honesta. E é só ser sincero que se pode. O dia chega ao fim, os ouvidos agora escutam mais. O nariz identifica a placa de um veículo, as mãos sentem o amor que vem de dentro de um jardineiro. Este sequer sabe que tem isso dentro de si, ainda é um cego. Cegueira programada por uma sociedade que acredita no possuir como resposta para todas as perguntas, inclusive as que não foram feitas. Um menino está sendo ensinado. Logo aprenderá, mesmo sendo mais tarde que o ideal.











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quarta-feira, 16 de junho de 2010

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Quando penso que te vi, o coração acelera. Tal que fico pensando se existe outra emoção. Na vida. Sabes que quando chego perto de ti, o verão aparece com força. Sei que não posso dar tudo o que mereces, pois precisaria de quatro mundos para isso, mas tudo o que conseguir pegar deste te darei. Te darei amor, já tens o meu, te darei carinho, já tens todo o meu. Te darei tudo o que eu conseguir carregar no meu colo, o que o presidente achar difícil, o que a criança quiser para brincar. Consigo a vida, o dia, a saudade e a saudade. Saudade de ficar preso contigo, e livre para te ver correr. A minha vida é assim agora, e espero que continue. Continua.










 

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Documentário Parque Estadual Serra do Mar Núcleo São Sebastião

Como diz o samba do Salgueiro de 2024, "falar de amor enquanto a mata chora é luta sem flecha da boca para fora".