domingo, 11 de abril de 2010

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Eu vejo sua foto e sinto o seu cheiro. Vejo sua blusa e penso que não há no mundo nada igual a ela. Explico coisas confusas, rimo amor com flor, não encontro conexão entre coisa alguma e o todo junto. É difícil pensar no fim de algo que parecia o começo. Estranho ouvir bossa nova, se esta não é popular como dizem. Diferente da batucada, do som de uma cuíca, do toque de um pandeiro, daquele pandeiro. Como eu amo você. Como eu gosto do samba. Acho que encontrei a diferença.




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quarta-feira, 31 de março de 2010

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Cadê que não está aqui para te coçar a cabeça? Onde foi parar o boa noite que, ao sair tão suave de sua boca, parece que vem da sua boca? Cadê o seu corpo esquentando o meu até o ponto de não haver, nunca, o inverno? Está longe, e digo que é melhor que fique aí, não será bom hoje. Amanhã talvez. Ontem com certeza. O porteiro observa tudo indiferente, já se acostumou com as pessoas, de tanto olhá-las sem ser percebido. Sem ser percebido percebe muito mais coisas. Antes eu percebia tudo, agora, só percebo você. E o poeta volta a me guiar, e eu volto a me deixar.






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quinta-feira, 11 de março de 2010

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Dentro de tua vida pequena, cheia de cotidianos, forrada de silêncio, essa mesma vida que conhece todas as luzes dos prédios da frente às duas da manhã, pois, digo que aí dentro, não podes ser o que estás acreditando hoje, não há espaço nessas ruas largas para tua pequenez. Até que te encontro, e, para mim, tu és tudo. É o dia todo. Meus gostares, meus poemas, minha salvação. Digo, a mesma salvação, a do mundo. Tens outra realidade agora, que talvez não conheças, mas que é a única que consigo enxergar. Deita, descansa. O avião sairá logo, e as luzes dos vizinhos se apagarão no mesmo instante.







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terça-feira, 2 de março de 2010

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Por esses dias, andei andando. De repente, como uma estrela, a primeira do céu, encontro entre as linhas um passado que sem pedir permissão entrou pelas veias da mão. Rapidamente, estava em uma parte do meu cérebro onde gostaria que houvesse mais festas. Dali, para o coração, com o bombear de três ritmos, ritmos de um repenique, e a sensação começou a fazer dali sua morada. Frequentemente me pego buscando-a, mas a distância de meio continente, com uma carta por dia, é quem decide isso. No portão, todos os carteiros fazem fila para me entregar sua escrita. Assassino da língua, assassina em série, meninos de rua carentes por uma revolução que não temos a certeza de sua vinda. Escritores famosos, delinquentes, atraentes, com suas palavras que conquistam. Andaremos andando por aí.






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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

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Tenho saudade de um tempo que eu não era nada mais que um número no cartão de ponto. Sinto a falta da vida medíocre que levei, dos amigos que não eram meus amigos. Uma época em que salvar o mundo era uma pretensão para alguém vestido com uma fantasia, possuidor de esperança, de ética, de esperança. Rasguem as bandeiras, ou as troque por dinheiro. Ainda não encontrei a saída. A criança continua a desconfiar de um discurso. Seguiremos intentando. E o tempo nos ajuda a sermos menos responsáveis por nós mesmos, soterrados pela rotina cada vez mais pretensiosamente necessária. Sobrevivemos hoje.







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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

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Sempre que começo um novo escrito, penso que sou pequeno demais para fazer poesia. Não posso imaginar minha vida sem chances para mudar, preciso acreditar que ainda posso salvar o mundo. Aqui, embaixo de um amontoado de ideias inócuas, penso que estou envelhecendo. A alma fica calejada, cadeada, cadeirada. Talvez esta última resolva o meu problema. Ouço maravilhas do golpe militar. Vejam quem são os nossos herois! Aqueles que mataram os admiradores, ou pelo menos seus filhos. De que padecem os que não se imaginam com o problema dos outros? Falta de criticidade? De atitude? Falta por trás? Faltam muitos pontos ainda. Mas eu vou salvar o mundo, não sei se amanhã.






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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Homenagem a Iemanjá, por Kaká

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Mar azul
Mar calmo
Flores que desabrocham
Num piscar de olhos

Quem é que vem
Desatar os nós mentais?

Das ondas ela surge
Algas como cabelos

Ostras
Mexilhões
Crostas
Cracas
São seu corpo nu

Sincroniza energias

Materna criatura
Azuleia amor
A abraçar o mar
 
 
 
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(Foto e texto: Kaká)

Documentário Parque Estadual Serra do Mar Núcleo São Sebastião

Como diz o samba do Salgueiro de 2024, "falar de amor enquanto a mata chora é luta sem flecha da boca para fora".