quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

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Tenho saudade de um tempo que eu não era nada mais que um número no cartão de ponto. Sinto a falta da vida medíocre que levei, dos amigos que não eram meus amigos. Uma época em que salvar o mundo era uma pretensão para alguém vestido com uma fantasia, possuidor de esperança, de ética, de esperança. Rasguem as bandeiras, ou as troque por dinheiro. Ainda não encontrei a saída. A criança continua a desconfiar de um discurso. Seguiremos intentando. E o tempo nos ajuda a sermos menos responsáveis por nós mesmos, soterrados pela rotina cada vez mais pretensiosamente necessária. Sobrevivemos hoje.







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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

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Sempre que começo um novo escrito, penso que sou pequeno demais para fazer poesia. Não posso imaginar minha vida sem chances para mudar, preciso acreditar que ainda posso salvar o mundo. Aqui, embaixo de um amontoado de ideias inócuas, penso que estou envelhecendo. A alma fica calejada, cadeada, cadeirada. Talvez esta última resolva o meu problema. Ouço maravilhas do golpe militar. Vejam quem são os nossos herois! Aqueles que mataram os admiradores, ou pelo menos seus filhos. De que padecem os que não se imaginam com o problema dos outros? Falta de criticidade? De atitude? Falta por trás? Faltam muitos pontos ainda. Mas eu vou salvar o mundo, não sei se amanhã.






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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Homenagem a Iemanjá, por Kaká

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Mar azul
Mar calmo
Flores que desabrocham
Num piscar de olhos

Quem é que vem
Desatar os nós mentais?

Das ondas ela surge
Algas como cabelos

Ostras
Mexilhões
Crostas
Cracas
São seu corpo nu

Sincroniza energias

Materna criatura
Azuleia amor
A abraçar o mar
 
 
 
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(Foto e texto: Kaká)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

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Ouço o rap cubano e consigo me emocionar mesmo sem entender muitas palavras. A mensagem que sai do coração atinge em cheio os lugares da minha emoção. Penso que deveríamos escrever mais sobre o que se passa nas ruas. Nas casas também. E digo que a salvação passará por uma sala repleta de pessoas conversando sobre seus saberes. Salas de casa. Salas de aula. Salas ao ar livre. A revolução interior está em curso, e todos se arrependerão por ser tarde demais. Ai, por que não estou conseguindo te ligar, preciso que saiba de tudo isso antes que o dia termine. Poderá ser tarde demais, como em um filme de Hollywood.





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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

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Na madrugada empapada de suor, com o sono que se foi, vou ler em argentino. Não gosto do espanhol. Procuro e encontro muita paz para meu coração. Penso que deveria ler mais poesia, pois os poetas já sofreram muito, podem nos ensinar. Mas será que aprenderemos? Ou precisamos pagar todas as promessas para perceber que o caminho é a própria recompensa? Os escritores ainda não me contaram nada sobre isso, apenas como era São Paulo antigamente. Gostaria de sair pela Avenida Paulista rodeada de árvores ainda. Um dia andarei, e me lembrarei que os carros antigamente eram tão bonitos... Costumamos mentir assim mesmo.





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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

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Não tenho carro, apenas amigos. Não tenho desejos, apenas saudade. A morada da tristeza não é aqui, somente os sonhos me visitam antes de dormir, e ao adormecer me pego no mundo real. Não costumo reparar, mas como são bonitos seus olhos fechados. Penso que quando te vejo assim, salvaria o mundo todo em apenas um minuto. O velho conta uma história e seus olhos se enchem. A criança escuta e seu coração aumenta. Eu vejo tudo isso e penso que é muito fácil ser feliz.





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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

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O escuro me indica o caminho a seguir. Aprendo que não é na luz que deve-se procurar, mas sim em sua ausência. A mente provou não ser capaz de seguir pela rua traçada até hoje. Então, o que será? Enxergar as situações mais simples como as importantes. Defender todas as injustiças por todos os irmãos, com eles ao lado, não atrás do muro mais alto do condomínio. O rico e o pobre juntos. Não são diferentes como dizem, como acreditam ser. Abaixem suas armas! Quais? O vidro escuro, a grade de casa, o carro blindado, a falta de amor. Daremos todos os bons-dias que forem preciso sem esperar por respostas, elas estarão por lá. A flor já vai nascer, ainda dá tempo.






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Documentário Parque Estadual Serra do Mar Núcleo São Sebastião

Como diz o samba do Salgueiro de 2024, "falar de amor enquanto a mata chora é luta sem flecha da boca para fora".