terça-feira, 7 de dezembro de 2010

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Sabe que fazia tempo que eu não chorava? Sabe que fazia tempo que o peito não cabia dentro de um punho fechado? Um punho que carrega todas as dores de um dia todo em São Paulo. Havia algum tempo também que o asfalto não esquentava tanto, e que os carros não saíam todos de uma só vez. Não se enxerga mais o céu, só o cinza, o cinza do céu. A dor de todos os partos volta às mães que já tiveram seus filhos. Policiais não conseguem organizar, abrem os portões de todas as cadeias da cidade. Os filhos ouvem as discussões de seus pais, e choram escondidos sob o armário do quarto escuro e desarrumado. Tudo ao mesmo tempo. É que eu estou olhando pela janela, estou em casa. O caos voltou. Estava com saudades.






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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Depois de um inverno, a primavera quase no verão. Um samba no retorno.

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Por Mais Injusta Que Seja






Quanto amor cabe dentro de uma lágrima,
Que ao sair carrega junto o coração?
Uma história que nunca se esquecerá,
Começa com um sim, e no final se diz um não.

Por mais injusta que a vida seja,
Que nos coloque no mesmo caminho.
Basta um dia que eu te veja,
Menos um dia a sofrer sem seu carinho.

Que a distância nos faça melhorar.
Que o silêncio nos faça esquecer.
Que o amor que eu sinto por você,
Vou fazer força para desaparecer.

E a parede branca das noites que hoje vejo,
E o espelho vermelho daquelas manhãs,
São histórias que um dia contarei
Com um sorriso terno, com cavaco e tantans.







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terça-feira, 21 de setembro de 2010

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E o rancor. Que rancor define um futuro? Para o bem, digo. Qual porção deste sentimento é capaz de encontrar sorrisos leves (sorrisos deveriam ser todos assim)? Ah sim. Cá estamos novamente, com a tragédia anunciada; a paixão mais uma vez nos fez sofrer. Mas que seja só o primeiro sofrimento, só ele. O do rancor, acredite, fará com que juros sejam cobrados. Juros de sofrimento. Juros. Juro.










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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

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Hoje vi dois gigantes. Um, no ponto de ônibus por uma janela suja (dentro de um ônibus de cidade grande). Outro à esquerda da Rua Direita. Talvez trouxessem meu coração que sumiu de um longe onde eu o havia deixado. Deixei no longe, do longe, um dia, sumiu. Por cá apareceu. Por que voltou? Não gostava do clima frio? Das calçadas diferentes? Motociclistas sem capacete? Nada disso. Como se possuísse uma boca, talvez melhor que a própria boca original, o coração contou, com as bombeadas de um ritmo sem nação: um, dois, três. Depois confessou: saudade da saudade que só dá aqui.







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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

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Qual é o país que nos importa? O país das ruas, das padarias, dos mercados. Dos cachorros que passeiam com seus donos, dos medos que imputaram ainda na infância das pessoas. A polícia é sempre a mesma. O asfalto queima tanto no calor que se percebe em qualquer parte onde haja asfalto. Os sorrisos... Como faremos para que se mantenham nos rostos de quem os quer em seus rostos? Em quinze dias pode-se perder o resultado de onze meses. Investimento humano. Descascadores de banana, comedores de enlatados; todos merecem o bom dia de todos os dias.







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domingo, 22 de agosto de 2010

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Se estivesse mais perto que um braço, a tomaria. Se a encontro na minha esquina, tenho tanto para falar. Se me escuta, lhe digo que pensava em fazer uma tatuagem, mas desisti, que um dia gostei de roupas que falam - ou dizem, dizem é mais adequado aqui - que dizem ser da moda, que as cebolas me fazem chorar, inclusive depois de cozidas. Se eu não me engano já sabe disso. Se me sorri, mostro o sorriso que trago dentro de mim desde que a vi. Se existe alguém, estou certo que você é alguém. Se não posso ver-lhe, se vai tudo, se diminui a força que faz a terra girar, por isso o tempo se demora tanto assim desde que a vi em sua porta em agosto último. Ce, se... Se perdi.







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domingo, 15 de agosto de 2010

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Um poeta foi preso. Tentou descrever sensações e estas tornaram-se indescritíveis, segundo decreto do presidente do mundo, há 4 dias. Também, não se pode mais rimar, tampouco versar palavras desencontradas. Os senhores das letras sentem-se inócuos. Cartas escritas à mão com a serenidade de um bom dia acumulam-se nos quintais. Não existe mais qualquer música, apenas um amontoado de notas. Que triste fim para os poetas. Alguns inclusive tratam de conseguir clientes em suas novas farmácias; creem que, assim, poderão salvar tantas vidas quanto com uma estrofe. Os poetas se vestem de branco, e já não assinam com essa profissão. Vestem branco e não são pais-de-santo, vestem branco e vendem remédios. Branco.




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Documentário Parque Estadual Serra do Mar Núcleo São Sebastião

Como diz o samba do Salgueiro de 2024, "falar de amor enquanto a mata chora é luta sem flecha da boca para fora".