terça-feira, 8 de junho de 2010

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E dizem que eu não quero a paz. Como ser a guerra se esta ainda não terminou? Não sabemos como é. Nas ruas pessoas andam sem seus rostos, apenas seguem a luz de uma televisão. Quando ela se apagou, as rodas de conversa frequentaram as salas de rodas de conversa. Penso que estas têm medo de luz. Crianças que temem o escuro ouvem conversas nas rodas. A vida brilha. Mas que pretensão a minha, salvar o mundo. Alguns similares são vendidos em feiras populares. Entulhos se espalham pelas calçadas, entulhos de gente. Pedintes ainda ouvem mentiras a todo instante, e nós sabemos que somos culpados por inventá-las. Vamos logo, partiremos às 6 horas, o rumo é longínquo. Ao menos ainda há rumo.






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terça-feira, 1 de junho de 2010

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Está tudo claro, ficou tudo escuro. De um, dois e três dias, de ontem, hoje e amanhã. Da vida, sem dúvidas, de uma vida que não consegue se levantar do sofá. O mundo precisa de pessoas boas, precisa de amor. Conseguiremos ser aqueles que se levantam do sofá. Isso é uma afirmação. Não deixaremos o mundo ir embora sem que lutemos por ele. Não conseguirei respirar se o mesmo se multiplicar, como tem sido até hoje. A televisão segue ligada, mas é tão óbvio que ela está nos deixando cegos. Por sua luz, por sua falta de luz também. Os livros seguem empoeirados, e as universidades fechadas para o povo. Que coisa é essa que não consegue ser mudada? Não conseguia, vamos mudar. Comecemos. A indignação já é a metade do caminho, a metade asfaltada. Entraremos na outra, a de terra, por isso não será confortável. Mas precisamos mudar. Precisamos. Precisamente, mudar.





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segunda-feira, 10 de maio de 2010

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A melancolia sempre visita minhas linhas. Aliás, nossas linhas. Vem acompanhada de uma tristeza, uma tristeza quase sempre boa. Imagino que sem elas não escreveria qualquer página deste um livro. A capa maleável e as folhas duras. O papel não é especial, mas sim o mesmo que se encontra aos montes no Lapa 856-R. Próxima parada: Estação Sumaré. Pronto, chegamos ao destino, ao início, à tristeza e à melancolia. Um campinho de terra, uma quadra rachada. Tubos de esgoto sem esgoto, pontes com luas lhes contornando. Noites famintas. Olhos brilhantes. Amigos que só podem nos olhar de cima, seus corpos tão fundo. Lágrimas que correm sem autorização, pecados cometidos, sorrisos que valem todas as crianças juntas. Memórias, memórias, memórias. Olha aí.




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domingo, 11 de abril de 2010

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Eu vejo sua foto e sinto o seu cheiro. Vejo sua blusa e penso que não há no mundo nada igual a ela. Explico coisas confusas, rimo amor com flor, não encontro conexão entre coisa alguma e o todo junto. É difícil pensar no fim de algo que parecia o começo. Estranho ouvir bossa nova, se esta não é popular como dizem. Diferente da batucada, do som de uma cuíca, do toque de um pandeiro, daquele pandeiro. Como eu amo você. Como eu gosto do samba. Acho que encontrei a diferença.




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quarta-feira, 31 de março de 2010

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Cadê que não está aqui para te coçar a cabeça? Onde foi parar o boa noite que, ao sair tão suave de sua boca, parece que vem da sua boca? Cadê o seu corpo esquentando o meu até o ponto de não haver, nunca, o inverno? Está longe, e digo que é melhor que fique aí, não será bom hoje. Amanhã talvez. Ontem com certeza. O porteiro observa tudo indiferente, já se acostumou com as pessoas, de tanto olhá-las sem ser percebido. Sem ser percebido percebe muito mais coisas. Antes eu percebia tudo, agora, só percebo você. E o poeta volta a me guiar, e eu volto a me deixar.






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quinta-feira, 11 de março de 2010

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Dentro de tua vida pequena, cheia de cotidianos, forrada de silêncio, essa mesma vida que conhece todas as luzes dos prédios da frente às duas da manhã, pois, digo que aí dentro, não podes ser o que estás acreditando hoje, não há espaço nessas ruas largas para tua pequenez. Até que te encontro, e, para mim, tu és tudo. É o dia todo. Meus gostares, meus poemas, minha salvação. Digo, a mesma salvação, a do mundo. Tens outra realidade agora, que talvez não conheças, mas que é a única que consigo enxergar. Deita, descansa. O avião sairá logo, e as luzes dos vizinhos se apagarão no mesmo instante.







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terça-feira, 2 de março de 2010

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Por esses dias, andei andando. De repente, como uma estrela, a primeira do céu, encontro entre as linhas um passado que sem pedir permissão entrou pelas veias da mão. Rapidamente, estava em uma parte do meu cérebro onde gostaria que houvesse mais festas. Dali, para o coração, com o bombear de três ritmos, ritmos de um repenique, e a sensação começou a fazer dali sua morada. Frequentemente me pego buscando-a, mas a distância de meio continente, com uma carta por dia, é quem decide isso. No portão, todos os carteiros fazem fila para me entregar sua escrita. Assassino da língua, assassina em série, meninos de rua carentes por uma revolução que não temos a certeza de sua vinda. Escritores famosos, delinquentes, atraentes, com suas palavras que conquistam. Andaremos andando por aí.






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Documentário Parque Estadual Serra do Mar Núcleo São Sebastião

Como diz o samba do Salgueiro de 2024, "falar de amor enquanto a mata chora é luta sem flecha da boca para fora".