quinta-feira, 11 de março de 2010

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Dentro de tua vida pequena, cheia de cotidianos, forrada de silêncio, essa mesma vida que conhece todas as luzes dos prédios da frente às duas da manhã, pois, digo que aí dentro, não podes ser o que estás acreditando hoje, não há espaço nessas ruas largas para tua pequenez. Até que te encontro, e, para mim, tu és tudo. É o dia todo. Meus gostares, meus poemas, minha salvação. Digo, a mesma salvação, a do mundo. Tens outra realidade agora, que talvez não conheças, mas que é a única que consigo enxergar. Deita, descansa. O avião sairá logo, e as luzes dos vizinhos se apagarão no mesmo instante.







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terça-feira, 2 de março de 2010

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Por esses dias, andei andando. De repente, como uma estrela, a primeira do céu, encontro entre as linhas um passado que sem pedir permissão entrou pelas veias da mão. Rapidamente, estava em uma parte do meu cérebro onde gostaria que houvesse mais festas. Dali, para o coração, com o bombear de três ritmos, ritmos de um repenique, e a sensação começou a fazer dali sua morada. Frequentemente me pego buscando-a, mas a distância de meio continente, com uma carta por dia, é quem decide isso. No portão, todos os carteiros fazem fila para me entregar sua escrita. Assassino da língua, assassina em série, meninos de rua carentes por uma revolução que não temos a certeza de sua vinda. Escritores famosos, delinquentes, atraentes, com suas palavras que conquistam. Andaremos andando por aí.






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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

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Tenho saudade de um tempo que eu não era nada mais que um número no cartão de ponto. Sinto a falta da vida medíocre que levei, dos amigos que não eram meus amigos. Uma época em que salvar o mundo era uma pretensão para alguém vestido com uma fantasia, possuidor de esperança, de ética, de esperança. Rasguem as bandeiras, ou as troque por dinheiro. Ainda não encontrei a saída. A criança continua a desconfiar de um discurso. Seguiremos intentando. E o tempo nos ajuda a sermos menos responsáveis por nós mesmos, soterrados pela rotina cada vez mais pretensiosamente necessária. Sobrevivemos hoje.







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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

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Sempre que começo um novo escrito, penso que sou pequeno demais para fazer poesia. Não posso imaginar minha vida sem chances para mudar, preciso acreditar que ainda posso salvar o mundo. Aqui, embaixo de um amontoado de ideias inócuas, penso que estou envelhecendo. A alma fica calejada, cadeada, cadeirada. Talvez esta última resolva o meu problema. Ouço maravilhas do golpe militar. Vejam quem são os nossos herois! Aqueles que mataram os admiradores, ou pelo menos seus filhos. De que padecem os que não se imaginam com o problema dos outros? Falta de criticidade? De atitude? Falta por trás? Faltam muitos pontos ainda. Mas eu vou salvar o mundo, não sei se amanhã.






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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Homenagem a Iemanjá, por Kaká

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Mar azul
Mar calmo
Flores que desabrocham
Num piscar de olhos

Quem é que vem
Desatar os nós mentais?

Das ondas ela surge
Algas como cabelos

Ostras
Mexilhões
Crostas
Cracas
São seu corpo nu

Sincroniza energias

Materna criatura
Azuleia amor
A abraçar o mar
 
 
 
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(Foto e texto: Kaká)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

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Ouço o rap cubano e consigo me emocionar mesmo sem entender muitas palavras. A mensagem que sai do coração atinge em cheio os lugares da minha emoção. Penso que deveríamos escrever mais sobre o que se passa nas ruas. Nas casas também. E digo que a salvação passará por uma sala repleta de pessoas conversando sobre seus saberes. Salas de casa. Salas de aula. Salas ao ar livre. A revolução interior está em curso, e todos se arrependerão por ser tarde demais. Ai, por que não estou conseguindo te ligar, preciso que saiba de tudo isso antes que o dia termine. Poderá ser tarde demais, como em um filme de Hollywood.





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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

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Na madrugada empapada de suor, com o sono que se foi, vou ler em argentino. Não gosto do espanhol. Procuro e encontro muita paz para meu coração. Penso que deveria ler mais poesia, pois os poetas já sofreram muito, podem nos ensinar. Mas será que aprenderemos? Ou precisamos pagar todas as promessas para perceber que o caminho é a própria recompensa? Os escritores ainda não me contaram nada sobre isso, apenas como era São Paulo antigamente. Gostaria de sair pela Avenida Paulista rodeada de árvores ainda. Um dia andarei, e me lembrarei que os carros antigamente eram tão bonitos... Costumamos mentir assim mesmo.





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Documentário Parque Estadual Serra do Mar Núcleo São Sebastião

Como diz o samba do Salgueiro de 2024, "falar de amor enquanto a mata chora é luta sem flecha da boca para fora".