Dentro de tua vida pequena, cheia de cotidianos, forrada de silêncio, essa mesma vida que conhece todas as luzes dos prédios da frente às duas da manhã, pois, digo que aí dentro, não podes ser o que estás acreditando hoje, não há espaço nessas ruas largas para tua pequenez. Até que te encontro, e, para mim, tu és tudo. É o dia todo. Meus gostares, meus poemas, minha salvação. Digo, a mesma salvação, a do mundo. Tens outra realidade agora, que talvez não conheças, mas que é a única que consigo enxergar. Deita, descansa. O avião sairá logo, e as luzes dos vizinhos se apagarão no mesmo instante.
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